Por  Maurício Vaitsman Chiga (Apicultor)

20 de agosto de 2024

Um pé de limão florido.

Para iniciar nossa breve conversa sobre abelhas no Brasil, precisamos diferenciar as abelhas nativas do Brasil, são as abelhas sem ferrão que contam com mais de 200 espécies originárias de nosso território, com as abelhas chamadas Europa, que são Apis Melífera.

Introduzidas no Brasil no século XIX para produção de mel e cera de abelha Apis Melífera ou Abelha Europeia foi trazida para o Brasil e até meados do século XX era a única      espécie de abelhas com ferrão produzindo mel no Brasil.

A partir de 1950 uma nova espécie de Apis Melífera, a Apis Melífera Scutellata, A abelha africana, foi trazida para experimentos na região Sudeste e a partir de fugas e enxameação de suas rainhas acabou colonizando de norte a sul o território brasileiro e na sequência até a América Central. Sabe-se, a partir de registros oficiais, que chegou no hemisfério Norte no final do século XX.

Na atualidade, em pleno século XXI, podemos entender que Apis Melífera africanizada é o tipo de abelha com ferrão produtora de mel que existe no território brasileiro.

Abelha africanizada no Brasil é uma abelha descendente fértil da Apis Melífera e da Apis Melífera Scutellata, ou seja, é uma abelha africanizada com ferrão excelente produtora de mel e cera que se especializou nos últimos 100 anos colonizando todo o território brasileiro.

Devido a sua alta resistência a predadores, a doenças e a sua alta capacidade de adaptabilidade em regiões com pequenos índices pluviométricos, de chuva, consequentemente com floradas bem marcadas e devido a necessidade pelas plantas em garantirem a sua geração futura a partir de floração e suas flores polinizadas, a abelha africanizada é predominante entre os apicultores e na Natureza.

                Devido a sua natureza muito agressiva em relação aos fatores externos sua família, nacional Colmeia, a abelha africanizada tornou-se extremamente importante para a apicultura já que na falta de alimentação natural elas simplesmente abandonam o seu ninho que procuram na região com melhores características de alimentação e garantias de sobrevivência.

Na atualidade diferentes técnicas de apicultura convergem para que a condição de criação pelo apicultor a partir de manejo adequado da criação promova um alto índice de produção de mel em diferentes regiões brasileiras desde a região de Mata Atlântica, região do Cerrado e até principalmente em região do sertão nordestino, existindo apicultores com registros de mais de 100 kg de mel por Colmeia por ano.

Apis Melífera existe a 150 milhões de anos no planeta Terra e conseguiu desenvolver em sua evolução uma forma de organização que poderíamos chamar de social no interior de seu ninho, sua família, de forma que suas colônias, com mais de 50 mil indivíduos, produzem toda a sua alimentação a partir do trabalho das suas abelhas operárias que são a maioria na colmeia, saindo todos os dias a partir dos primeiros raios de sol na busca de néctar e de pólen com seu retorno para os favos (estruturas ocas entre paredes verticais em formato hexagonal de cera de abelhas) que também são produzidos por outras abelhas que cuidam da limpeza, da construção de favos, da produção de própolis para a vedação de espaços menores do que 4 mm dentro do ninho, da alimentação da família e da proteção contra predadores.

Existe sempre uma abelha rainha que faz posturas de ovos regularmente em todos os dias de sua existência garantindo a manutenção do número de abelhas dentro da colmeia.

Além das fêmeas existem os machos que são chamados de zangões no número bem menor para que no caso de necessidade de troca ou falta da abelha rainha, eles possam voar para o acasalamento no primeiro voo da nova abelha rainha.

A evolução desses insetos foi estudada e algumas atitudes das abelhas dentro da colmeia indica que no retorno seu trabalho no campo as abelhas campeiras conseguem a partir de danças ritmadas indicar não só a posição, a distância, a qualidade da alimentação, mas até mesmo a velocidade dos ventos na direção da melhor florada para outras abelhas campeiras realizarem seu trabalho.

Sabe-se que qualquer tipo de abelha participa da polinização de espécies nativas e de espécies exóticas plantadas dentro de sua área de atuação, que pode chegar um raio de 1,5 km para qualquer lado a partir de sua Colmeia, sabe-se também que é Apis Melífera africanizada concorre com as abelhas sem ferrão, nativas brasileiras, mas a sua importância econômica, mesmo com sua grande agressividade, a mantém como preferida para criação e produção de mel e outros produtos.

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