Prof. D.Sc. Delmo Santiago Vaitsman, CRQ III – 03200179,

Os fenômenos climáticos que ocorrem em todo planeta, muitas vezes devido a ação do Homem, tendem a se repetir com maior frequência causando impactos significativos à biodiversidade, às atividades essenciais da sociedade e à economia das nações. Eles não têm prazo para acabar.

Face ao “novo normal climático”, previsto com base em modelos climáticos, cabe aos governos nas diferentes esferas de atuação e responsabilidade, estabelecer ações educativas, prioridade na execução de projetos para prevenção de fenômenos climáticos extremos e atendimento imediato aos eventos que causam destruição da infraestrutura, danos às atividades essenciais, milhares de mortes, desabrigados e desalojados.

Junto com a iniciativa privada, os governos devem estabelecer planos estratégicos para reorganizar a economia, negócios em setores de seguros, educação tradicional e ambiental, saúde, saneamento, abastecimento público de água, energia, transporte, proteção aos biomas nacionais, reflorestamento, manutenção de rios e córregos com realocação da população em áreas seguras. matas ciliares, produção industrial em geral, agricultura, pecuária e

Como a preocupação relacionada com eventos naturais é internacional, a Organização das Nações Unidas (ONU) promove, anualmente, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP) para discutir e desenvolver ações concretas para mitigar os efeitos do aquecimento do planeta, considerando que em 2023 o aumento da temperatura média global atingiu recorde de 1,48 o C, próxima a do Acordo de Paris que estabeleceu 1,50 o C até o fim do século.

Para discussão de alternativas para mudanças climáticas a ONU confirmou que a Conferência do Clima, a COP 30 de 2025, será realizada na cidade de Belém do Pará, que espera receber representantes de 198 países. A seguir, estão apresentados, resumidamente, os principais efeitos que causam preocupação aos governos e sociedade.

– EL NIÑO e LA NIÑA

Ambos os fenômenos têm origem na região equatorial do Oceano Pacífico tropical Peru), devido a variação da temperatura da água do mar, que afeta o clima em todo o planeta. O El Niño causa aquecimento anormal da superfície da água do mar ( > 0,5 o C), o suficiente para colocá-lo na categoria de intenso a muito intenso. Ocorre de cada dois a sete anos, durando em média de nove a doze meses. O término do El Niño não significa fim imediato do aquecimento da água que leva algum tempo voltar à normalidade, ou seja, para a atmosfera reagir às mudanças de temperatura ocorridas na água. No Brasil, atribui-se ao El Niño o excesso de chuva no sul e seca no norte-nordeste. O fenômeno La Niña causa resfriamento anormal (< 0,5 o C ) da superfície da água do mar provocando chuvas no norte e nordeste e seca no sul. Seu tempo de duração é o mesmo do El Niño.

– CICLONES

Sistemas rotativos de nuvens e tempestades podem ser SUBTROPICAIS, quando formados entre os trópicos de Câncer e de Capricórnio; TROPICAIS, originados no mar, próximo a linha do equador, sobre os trópicos de Câncer (hemisfério norte) e de Capricórnio (hemisfério sul), ou entorno deles, onde a temperatura é maior que 37 o C.

Quando o ar quente e úmido sobe para camadas mais altas, o frio e seco desce para a superfície causando a queda de pressão. A instabilidade causa grande movimentação do ar convergente no centro do ciclone contendo umidade e calor que se dirige para o continente, associado a tempestades e ventos com altas velocidades e, ainda

EXTRATROPICAIS, formados em qualquer época, fora da área delimitada pelos

tropicais e subtropicais. O formado no mar chega forte ao continente e o formado próximo ao continente com menos força.

– FURACÕES e TUFÕES

São essencialmente subdivisões de ciclones com o mesmo tipo de fenômeno tempestades tropicais recebem nomes diferentes conforme a região de origem. FURACÃO: formado na porção leste do Oceano Pacífico ou Atlântico Norte com velocidade superior a 119 km/h . O. TUFÃO é formado na porção oeste do Pacífico e velocidade maior que 400 km/h..

– TORNADOS

Tempestades violentas formadas em áreas continentais a partir de ventos que giram em alta velocidade. Recebe esse nome a partir do momento em que seu funil toca o solo causando danos significativos em áreas urbanas e no campo. Têm curta duração e velocidades que podem atingir 400 km/h.

– SECAS

Fenômenos que afetam a disponibilidade de água por períodos prolongados. Conforme o relevo da região, a seca alternada com chuvas concentradas, podem causar trincas nos solos abrindo caminho para enxurradas, deslizamentos e desabamentos de ruas e prédios.

No Brasil, a combinação El Niño e elevação de temperatura do Atlântico norte causou seca na Amazonia, diminuiu o nível de rios deixando comunidades isoladas e sem água potável. Na agricultura, a Embrapa e outras instituições de ensino e pesquisa, estudam modificação no DNA de plantas nativas para criar novas espécies de soja e milho resistentes à seca. Desde 1990, Secas- Relâmpago de uma semana a um mês fez o agreste nordestino se transformar em semiárido.

– INUNDAÇÕES

Em áreas urbanas o excesso de chuvas causa alagamentos que prejudicam a movimentação de vias e avenidas, causam desabamentos e outros prejuízos materiais. Inundações ocorrem pela diminuição de áreas para absorção do excesso de água das chuvas, construções e aterros irregulares, deficiência na coleta de lixo doméstico e industrial bem como limpeza e falta de drenagem de rios e canais. Nas áreas rurais, as inundações podem ocorrer por causa de desmatamento ilegal, uso indevido do solo com aterros e assoreamento que prejudicam o curso normal de água nos rios e canais. .

– ONDAS DE CALOR

Causadas por sistemas de alta pressão atmosférica em áreas com pouca nebulosidade e umidade no ar com duração mínima de cinco dias seguidos mantendo temperaturas 5°C acima da média da região. Causam impacto social na saúde e na Educação, aumento do consumo de água, danos à biodiversidade, geração de energia, prejuízos à agropecuária (ex. pane elétrica nos galpões com frangos e suínos). Em19/11/2023, o Inmetro registrou em Araçuaí – MG recorde histórico de 44,8°C , marcando o fim das oito 8 ondas de calor iniciadas em 8 de novembro do mesmo ano..

– EFEITO ESTUFA

Fenômeno climático atmosférico que age como isolante absorvendo parte do calor emitido pela Terra para o espaço, mantendo a temperatura média (aquecimento) do planeta. A emissão de Gases de Efeito Estufa – GEEs (CO 2 , CH 4 , N 2 O, O 3 , CFCs) em excesso impede a dispersão do calor emitido aumentando a temperatura e prejudicando a vida na Terra. É causado principalmente pela queima de combustíveis fósseis e pecuária. É crucial que todos os países reduzam as emissões de GEEs para manter parte do calor irradiado e proteger a vida no planeta.

– INVERSÃO TERMICA

Fenômeno natural potencializado por ação antrópica. Ocorre nos centros urbanos em qualquer parte do mundo. A camada de ar frio na madrugada e pela manhã não se dissipa, permanece nas camadas mais baixas da atmosfera, enquanto o ar relativamente mais quente que ocupa as camadas mais elevadas da atmosfera, não consegue descer. Com o aquecimento do solo ocorre a inversão das camadas de ar.

– CONCLUSÃO

Na época da Inteligência Artificial (IA) e acesso rápido aos meios de comunicação, é de conhecimento geral as consequências sociais, ambientais e econômicas decorrentes das modificações climáticas globais e regionais que tem assolado o planeta causando mortes, destruição e prejuízos à economia global. Ainda há tempo para que governos dos 195 países que apoiaram em 2015 o Acordo de Paris, marco no combate as mudanças climáticas, limitem o aumento da temperatura média global a 1,5°C até o final do século e, também, que apoiem ações objetivas nas áreas da educação e conscientização na áreas ambiental, social e tecnológica, na expectativa de que a sociedade se prepare para o “novo normal climático” e tenham melhor qualidade de vida.

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